quinta-feira, 26 de novembro de 2009

A mentora





Irmã vai do jeito que a senhora pediu, bem simples!
Por insistência minha em querer fazer uma homenagem a senhora, que sabe do nosso amor e de meus filhos, pela assistência amorosa e desinteressada claro, só cobra de nós o amor a Deus, amando o nosso semelhante e de ter a responsabilidade de passá-lo através do nosso exemplo!
Sei que é muita responsabilidade, mais estou sempre lutando e procurando através de suas orientações me tornar uma pessoa melhor, obrigada irmã Celina pela incumbência de ser a minha mentora espiritual, eu sou uma pessoa antes e depois da sua assistência, devo ter sido um espírito reincidente em muitas reencarnações, por merecer a sua orientação e muitos puxões de orelhas.
Obrigada por me emprestar o seu nome, como à senhora disse: "Não tem importância tem muitas Celinas". Mais vou fazer o possível para a senhora ficar contente comigo, só publicando coisas alegres para adoçar um pouco a vida daqueles, que fizer a caridade de ler o que escrevo.
Com muito amor a vossa bênção em nome de Deus


"Não ponha limites à sua vida!
procure ouvir as notas harmoniosas e sublimes
do canto maravilhoso que se evola da natureza.
Viva sorridente e alegre,
para espantar as preocupações,
para aliviar as lutas.
Mergulhe sua alma, na alma da natureza:
Absorva a luz do sol, goze a suavidade da lua,
contemple o esplendor das estrelas,
aspire os perfumes das flores.
A vida é bela, apesar das dores e dos contratempos"


Um minuto de Sabedoria, C. Torres Pastorino

A alegria da minha tia ALI


Vou falar hoje da alegria da minha tia Ali.
Ela era diferente de todas as irmãs, mais clara e bem alta, casou-se com um homem que no máximo tinha 1,55 m. Era um casal bem diferente quando saiam juntos ela ia sempre na frente ou atrás, chamava atenção de todos e ela não gostava.
Como não tiveram filhos adotaram duas crianças.
Eram felizes ao seu modo, de casa para a igreja, as festas só as religiosas, a da padroeira Sant'Ana que é comemorada no mês de Julho, e as de fim de ano.
Fazia bonecas de pano lindas , para passar o tempo não dando conta das encomendas, toda criança gostaria de ter uma.
O marido trabalhava na capital, e deixava as compras da semana e uma certa importância em dinheiro, na terça-feira ela já tinha doado tudo. Daí perceberam que tinha alguma coisa errada passando do limite, levando-a a muito custo ao médico, fez um tratamento internada, quando voltou estava boa, mas com a alegria de sempre.
De vez em quando eu vinha até a cidadezinha, ficar na casa da minha sogra, quando ela sabia aparecia lá, ela adorava crianças.
Nos domingos pedia que arrumasse as meninas para acompanhá-las a missa das nove, uma delas tinha um cabelo preto curto e de franja e a outra cabelos castanho que eu enchia de cachos, a "La Shirley Temple", ficavam todas arrumadas e bonitas e era com um certo orgulho que ela pegava nas mãos das crianças e as levavam a igreja que ficava perto da casa da minha sogra.
Um dia uma das minhas primas me chamou atenção, disse que uma das meninas estava tirando a concentração dos fiéis, ai explicou porque. Uma das meninas pedia para colocar os óculos que eram da minha avó, por sinal bem antigos, as lentes eram redondas e os aros dourados.
Ai já viu, uma menina com cara de sapeca, de cachos e por cima de óculos antigos! Enquanto os outros se ajoelhavam para frente, ela se ajoelhava no banco virada para o povo, não tinha pessoa por mais séria que fosse, que não achasse engraçado, resultado tirava a concentração.
Meu marido resolveu a situação, nos horários das missas ele ia com elas fazer um passeio só regressando ao término da última missa as onze horas.
Sinto saudades da minha madrinha Ali, alegrou a minha vida com o seu bom humor e suas risadas, suas graças sem percebermos que era uma pessoa doente e sim alegre. Que Deus a tenha.

"Não dê importância da idade do seu corpo físico:
Seja sempre jovem e bem disposto espiritualmente.
A alma não tem idade!
A mente jamais envelhece.
Mesmo que o corpo assinale os sintomas da idade física,
mantenha-se jovem e bem disposto, porque isso depende de sua mentalização positiva.
Faça que a juventude do seu espírito se irradie através do seu corpo, tenha ela a idade que tiver".

Um minuto de Sabedoria, C. Torres Pastorino

Reminiscências


Todos eram muito simpáticos, educados e bonitos. Estavam vindo de João Pessoa/PB, mais eram naturais do Paraná, e iam ser mais um vizinho nosso na vila militar, o que nos chamou atenção era a quantidade de filhos, eram quatro moças lindas e mais oito irmãos de todas as idades, terminando em um bebê de quase um ano, mais pela mocidade dos pais e um grande amor que os unia, parecia que ainda não estavam dispostos a encerrar.
O trabalho que eles tinham era em fazer os bebês, quando nascia já tinha uma das moças pra cuidar escolhida pela mãe, quem não gostava muito era a próxima escolhida que ficava rezando para que o tal bebê ficasse mais um pouco lá por cima.
Voltamos ao casal, aproveitavam a vida adoidado, iam à praia diariamente, saiam bem cedo pro maridão não perder o expediente no quartel, aos sábados e domingos passeavam explorando as cidades próximas, conhecendo tudo, talvez por serem do sul do país tivessem tanto interesse em conhecer além das cidades a nossa cultura. O transporte usado por eles era a sua lambreta.
Enquanto as crianças se tivéssemos também uma em casa com certeza ganharíamos mais uma ou duas, o que valia a pena, que eram uma boa companhia para os nossos filhos, ninguém reclamava, eles chegavam de manhã cedo, almoçavam conosco e só iam pra casa quinze minutos antes das 18h00min, depois explico o porquê.
Eles causaram uma verdadeira revolução na cultura da nossa vila militar, nós tínhamos o nosso teatro, onde também eram exibidos filmes, foram adaptados de alguns galpões que estavam disponíveis, eram ao todo três. Um ficou sendo uma espécie de mercearia, onde tínhamos quase tudo que precisássemos para a nossa manutenção, e o terceiro foi dado para a “grande família” adaptar um lar.
Eles passaram a fazer parte do elenco dos "nossos artistas", tinha o declamador, os humoristas e junto com os nossos formaram um conjunto musical, apresentando-se nas festinhas organizados pelo nossos filhos, e os menores viraram "anjos" desfilando na procissão, participando das noites de Maio e da festa do nosso padroeiro que era São José.

Quando se aproximava as 18h00min, todos iam para casa, às vezes levando os amiguinhos que os hospedara durante o dia.
As 18h00min começavam o terço rezado diariamente tendo o pai como condutor, acompanhado de toda a família e os garotos como convidados, só tinha uma exigência, que ficassem de joelhos ou em pé, ninguém podia ficar sentado.
Minha filha que às vezes acompanhavam a amiguinha, a mais moça dela "sapeca”, descrevendo o altar dizia: “Mamãe além dos santos, tem uma cabeça pelada com os dentes de fora". Vindo saber depois tratar-se de um amigo querido da família, onde ele desejou ficar com o crânio e o foi concedido! Quanto a ele, nós os vizinhos chegamos à conclusão, que foi um padre frustrado, preso nas artimanhas do amor, depois do terço os pais iam passear, talvez assistir a um filme, ninguém sabe ao certo.
Toda criança gosta de brincar, todos nós sabemos, ainda mais com tanto espaço, naquela época o que estava em voga era "polícia e ladrão" sempre os que estavam do lado deles ganhavam. O motivo?Um dia passando lá em frente de casa como a gritaria tava muito grande, sai para ver do que se tratava, quando sai, vi uma vizinha também olhando e sai correndo, o motivo era a "caveira", era como eles a chamavam, que um dos meninos conduzia, e os outros corriam assustados, os mais velhos diziam: "Coitado dessa criatura, nem depois de morto tem sossego!"
Depois da bricandeira eles a colocavam no mesmo lugar junto aos santos.
Eu acho até que se o finado tivesse um pouco de humor, deveria gostar, além das vibrações pelas preces, a maioria crianças, ainda tinham a chance de brincar com eles.
Sinto saudade de tudo isso, das amigas queridas que lá deixei, e as minhas filhas já tão na idade de valorizarem o passado, às vezes elas me dizem: que tempo bom não foi mãe? Eu respondo foi sim filha.

Paz para todos!