segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Sombrinha


Primeiro pecado que eu me lembro foi o da cobiça, eu tinha cinco a seis anos na ocasião, perto de nós morava em uma confortável casa uma senhora com seus dois filhos, um casal.
A minha mãe a conheceu e se tornaram amigas, a tarde depois do almoço ela pedia a minha mãe para eu brincar com sua filha, éramos da mesma idade, como a casa era muito grande tinha um quarto só com os brinquedos, tinha bonecas de todos os tipos e outros brinquedos também.
Eram desquitados, o pai um fazendeiro rico, vinha sempre visitá-los e os enchia de presentes principalmente a menina, eu quase não tinha brinquedos, me via no mundo encantado, mais daqueles brinquedos todos, me apaixonei por uma minúscula sombrinha tecida de fios de lã colorida, cada parte da sombrinha tinha uma cor, predominando o azul e o cabinho torto como se fosse a miniatura de uma sombrinha de praia.
Eu dava todas as dicas, que achava a sombrinha linda, não a tirava de perto de mim, talvez seja um fascínio que os meninos sentem por uma bola, eu senti por aquela sombrinha, por mais que eu achasse bonita ela não dizia nada, ela fazia não entender, e eu pensava, ela tinha tantos brinquedos, custava me dar aquela sombrinha, e eu sentia vergonha de pedir, uma tarde ela me deixou bricando sozinha e foi não me lembro fazer o quê, sei que coloquei a sombrinha em minhas mãos, olhei com tanto amor aquele objeto desejado, e tive um impulso, fiz uma bolinha bem pequena dela, machuquei toda e joguei bem longe, a noite tive tantos pesadelos, acordava suada no meio da noite, dormia e tornava a sonhar com coisas horríveis, tive uma noite pertubada por um pecado de querer ter alguma coisa que pertencia a outrem.
Ela nunca sentiu falta da sombrinha, mais serviu de lição para mim, nunca mais desejar o que não me pertence, por mais insignificante que seja, valeu a lição da sombrinha, pior, não esqueci nunca, quando chega o carnaval para avivar a minha memória as lojas são decoradas com pequenas sombrinhas que são o símbolo do frevo, eu as acho linda, igualzinha a sombrinha dos meus pesadelos, sendo que era uma pequena miniatura, sinto vontade de comprá-la mais a lembrança de outros tempos não deixa, seria o meu inconsciente me culpando, sei lá, quem entende os porões da nossa mente.
Não sei explicar essa fixação por sombrinha, nunca dancei frevo, sou do tempo dos românticos e trágicos boleros.
Tenho uma neta se formando em psicologia, se ela chegar a ler, vai dar muitas gargalhadas, de uma vó tão boba, comparando aos dias atuais.
Que todos tenham um ano novo repleto de muita paz e sem sombrinhas...

Fogo-fátuo


Ele estava quase sempre em diversos lugares, no sítio da minha tia, aparecia sempre no pé de Mamoeiro, na beira do rio e acima das plantas. Da porta da cozinha nós o avistávamos, com aquele olho azul parecendo nos observar.
A minha tia estava tão acostumada que ficava indiferente, à noite sempre ia buscar um pote d'água para se alguém precisasse a noite, aí eu pensava porque não apanhar a água durante o dia, talvez por ser uma pessoa muito ocupada, a única ajuda que ela dispunha era a roupa que era lavada no rio por uma moça que vivia disso, o resto era ela que fazia e ainda arranjava tempo para costurar para os filhos.
A noite era o tempo que ela tinha para buscar a água para beber, para o gasto da casa era de uma jarra grande que o rapaz que a ajudava cuidar dos animais, se encarregava de enchê-la, quando eu não estava lá, ela ia sozinha, a única coisa que tinha medo era qualquer assunto que se referisse ao fim do mundo, aí sim, ela chegava a perder o sono só de pensar.
Eu a acompanhava só Deus sabe o que representava para mim aquele sacrifício, eu ia atrás quase colada a ela, a água era tirada de um poço de águas cristalinas no meio dos bambus, não precisava dizer que a escuridão era total, o candieiro que ela levava dava apenas uma claridade muito pouca, enquanto ela apanhava à água eu ficava olhando ao redor em plena escuridão, agora quando ela o avistava ela me prevenia, "fique quieta e não olhe de lado que ele está lá, qualquer movimento ele poderia vir em nossa direção".
Com o seu ruído característico o povo do interior estava acostumado a conviver com o fenômeno, o meu tio quando ia pescar, se ele aparecesse meu tio pegava o seu material de pesca e voltava, segundo ele naquela noite a pescaria não rendia nada.
Não sei o que o pessoal pensavam, sei que tinham o maior respeito, em cada região eram conhecidos por nomes diferentes, na região da minha tia era pelo fogo do batatão, não sei explicar porque o nome.
Eu gostava muito de passar as férias lá, só vindo para a cidade nas festas de fim de ano, as minhas primas ficavam admiradas por eu gostar tanto de lá, ela as vezes perguntavam se eu gostaria de trocar, uma palavra, elas detestavam tudo aquilo, nem banho de rio elas tomavam, enquanto eu aproveitava bem, subia em árvores, tomava banho de rio, foi com os meus primos que aprendi a nadar e a andar de cavalos, eu só estranhava a falta de luz elétrica e não ter pão, isto a minha tia procurava suprir fazendo fornadas de bolos e sequilhos de polvilho, a noite o passatempo era contar histórias tenebrosas, sentados todos nos bancos rústicos do alpendre, parecia até concurso de quem contaria a história mais assombrosa, ainda bem que quando caía na rede a noite de cansaço de tanta estripulia, adormecia em seguida, para no outro dia recomeçar tudo outra vez.
Pegava carona nos carros de bois até a entrada da mata, adorava tudo aquilo o cheiro do mato os cantos dos pássaros, faziam até esquecer o olho azul que nos espreitava a noite, acima do Mamoeiro, era só evitar de olhar lá fora na escuridão da noite.
Era a minha passárgada.
Mais tarde eu aprendi a explicação científica, aquilo que nos deixava com tanto medo, faço aqui uma ressalva, porque ele do lugar de se apagar vinha pra cima da gente e o barulho?
O deslocamento de ar é a resposta.
E quando mudava de lugar a velocidade que ia, eu hein?
"Fogo-fátuo no interior do Brasil chamado de fogo tolo, fogo corredor é uma luz azulada que pode ser avistada em cemitérios, brejos e e.t.c É inflamação espontânea de gás metano, resultantes de decomposição de seres vivos, plantas, animais típicos dos ambientes."
fonte: Wikipédia

Portugal



Em Portugal me senti em casa, depois de uma viagem estafante de muitos dias, pude então repousar, me alimentar bem. Antes passei por um grande jejum, sendo muito ruim para me alimentar, os cardápios eram péssimos para o meu gosto. Senti muito dispor de pouco tempo (dois dias).
A nossa excursão tinha terminado em Madri, Portugal foi uma opção nossa para conhecer melhor, no começo da viagem passamos apenas poucas horas fazendo uma conexão para Paris, deu para conhecer alguns poucos pontos turísticos, fui em Alfama, sempre que estendia roupa para secar eu me imaginava em Alfama, vendo aquelas roupas como bandeiras ao vento, conheci Fátima com as suas montanhas azuladas e suas flores também.
Amei Portugal, saudades de ouvir o mesmo idioma, mesmo com sotaque diferente, as mesmas músicas, achei tudo lindo, maravilhoso, tiramos muitas fotografias, fomos à torre de Belém, vimos o avião que Gago Coutinho usou na travessia do oceano, na época sem recurso nenhum.
Estamos programando uma próxima viagem, dessa vez no máximo de dois países, Portugal será o primeiro, no roteiro tem mais de seis cidades de Portugal, dessa vez tenho certeza que vai ser ótimo, sem cansaço e jejum.
A todos os portugueses a minha saudação com muita paz.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Feliz ano novo!


Mais um ano se vai, outro está chegando, quando nos aproximamos do final do ano, parece que vai zerando tudo de ruim que o ano velho trouxe para nós, é a nossa vontade que tudo dê certo, talvez o instinto de conservação de só querermos sempre o bem sem sofrimentos.
Na virada do ano na emoção do pipocar dos fogos, é o momento diria mágico, ao abraçar a família e os amigos, desejando-lhes um ano novo repleto de muita paz e saúde, naquele momento estamos extasiados de tanta felicidade e cheio de esperanças.
O ano que começa é sempre um marco nas nossas vidas, desejamos muitas realizações:
- é a casa própria tão sonhada, aquela tão planejada viagem, a união da pessoa amada, o emprego desejado, até perder alguns quilinhos.Esta é a esperança de todos, não interessa naquele momento que no decorrer do ano, tudo possa ser igual ao que passou.
Tivemos uma energização coletiva, de muitas mentes e corações vibrando num só pensamento, desejando sempre o melhor.
Que Deus nos abençoe dando-nos aquilo que merecemos, se for tudo bem agradecemos, e se for ao contrário agradecemos também. Ele sabe o que é melhor para cada um de nós!
Um abraço para todos da família e para os amigos também.

2010 de muita paz!!!

Foi o destino?


Esta semana vendo apelos pela televisão de pessoas desaparecidas, me lembrei de uma história.Quando morei em Belo Horizonte, nós tínhamos muitos amigos,na véspera do nosso embarque para o Nordeste, um desses amigos nos ofereceu um jantar de despedida na casa deles. Após o jantar, fui ajudar a dona da casa à lavar a louça, conversa vai, conversa vem, falamos de muitos assuntos, um deles me chamou muita atenção, ela me contou sobre o desaparecimento do seu avô, foi assim:
Ele negociava com jóias, comprava em certa cidade para vender na cidade que morava, em Minas Gerais-MG. Até um certo dia ele desapareceu sem deixar vestígios. A mulher ficou com as crianças pequenas, na certa que o pai tinha falecido, durante as viagens que fazia pelo interior de MG.
Passaram-se os anos, os filhos estavam criados, alguns casados, inclusive a amiga que nos tinha oferecido o jantar.
Um dia um amigo da família, viajando à São Paulo a negócios, chegou com uma notícia estranha, tinha encontrado o avô dela, no início o achou parecido, depois confirmou, estava mais velho, com alguns cabelos brancos, porém por ser da cor negra estava bem conservado, ajudou mais na identificação, aí ele contou a seguinte história ao amigo:
"Vinha vindo com a mula com a mercadoria, no trecho de um riacho, ao atravessá-lo fui assaltado por dois homens, que de certo sabia o meu itinerário , roubaram a minha mercadoria e me espancaram.Mesmo ferido consegui chegar à margem e desmaiei quando acordei estava em um lugar estranho e não lembrava de nada do que tinha acontecido, cuidaram de mim, fiquei bom, mais tarde casei com a filha de meu benfeitor, que tinha muitas terras, trabalhei muito e hoje sou um homem rico, entre meus bens consta até um avião para facilitar meu trabalho".
Aí o amigo contou das dificuldades da família para criar os filhos deixados por ele, ficou triste e disse:

"Quando recordei a memória, já tinha outra família, achei melhor calar, deixar que pensassem que eu tinha morrido"
Ele até que quis visitar a família, mas os filhos não quiseram recebê-lo, pensando no trabalho da mãe que teve de reembolsar as dívidas feitas por ele na compra das jóias e no muito que sofreu para criar os filhos sozinha, somente uma neta consentiu em recebê-lo, passaram um dia juntos, mais não tinham muito o que dizer, ele voltou e nunca mais ela soube notícias, a neta foi justamente quem me contou a história do avô fujão.

Fim