quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Pôr do sol no Jacaré










Cidade Linda

Aproveitamos as férias da minha filha, demos uma esticada até João Pessoa para descansar, mas voltamos tão cansadas, o corpo todo dolorido, aí vimos como fez falta a nossa caminhada que fazíamos todas as noites, esta fazendo uns seis meses que adiamos sempre por vários motivos.
Também não paramos e os cinco dias foram poucos, fomos até Campina Grande visitar minha irmã, foi o dia que descansamos mais, um dia maravilhoso, só de recordações, o tempo passou rápido e a noite regressamos ao hotel.
Nesse passeio aproveitamos bem, fomos mais uma vez ver o pôr do sol no Jacaré ao som do Bolero de Ravel, fomos escutar música ao vivo em um barzinho perto do hotel, fomos comprar lembranças do centro cultural, visitar o meu irmão que depois da aposentadoria escolheu Jõao Pessoa para morar, antes morava em Niterói.
Andei tanto a pé, aproveitei o sol quente que queima a nossa pele, vi o mar de pertinho sentado a murada bebendo água de côco, andei na areia descalça, me fartei de tanto peixe, comida que gosto, cinco dias de paraíso, como amo esse Nordeste lindo, de tantas praias belíssimas e de águas mornas, de povo maravilhoso, ao natural são atenciosos e educados, parece que já nos conhecem à tempos.
Esse trecho abaixo eu tirei de uma revista "PARAÍBA DA GENTE" que diz assim:


"Josenildo transpõe para a tela a beleza natural
de um sertão que se perdeu no tempo,
que hoje é mito, elo perdido.
Não o "grande sertão", vermelho-sangue
dos cangaceiros, dos profetas, dos lajedos, das cobras,
dos lagartos, do sol abrasador.
Mas o sertão do azul frio das serras distantes.
Do rôseo dolente do entardecer.
Da ternura recôndita das flores.
Dos circos pobres.
Das feiras livres.
Dos vestidos de chitas.
Da saudade velada.
Da lágrima contida.
Um sertão que sorri e sonha..."
Esse é um trecho da descrição bem forte e poética ao pintor Josenildo Suassuna.
Termino acrescentando: Paraíba Linda! Voltarei sempre!
Celina












Josenildo Suassuna



segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Carnavais do passado


Me lembro quando a minha mãe nos levavam, a mim e as crianças vizinhas, para a cidade assistir o corso que era composto de carros de capotas arriadas com moças bonitas vestidas de belas fantasias.
Ficávamos horas vendo o desfile, a minha mãe comprava Cetim e mandava fazer a minha fantasia nem sei de que, de tão simples que era.
As músicas eram marchinhas e são tocadas até hoje, era um carnaval diferente com muito confetes e serpentina, nos divertíamos muito exceto quando um jato de lança perfume acertava em nossos olhos, víamos também os índios que os nossos pais levavam para vê-los, e eu na minha inocência pensava ser de verdade, olhava-os com um certo temor.
Existia os grandes clubes para as pessoas de posse, depois fui crescendo e o carnaval foi se tornando o que é hoje, é verdade que é uma festa democrática, mas com muita violência e excessos, no final dão um balanço de quantas vidas foram ceifadas, incluindo acidentes pelas estradas ao se locomoverem dos que fogem e outros que chegam para fazerem parte da tão falada festa de Momo.
Quando cresci perdi o gosto por tão perigosa brincadeira e graças a Deus a minha família também, quando podemos viajamos para lugares mais tranquilos, regressando só ao término da folia.
Aqui no Recife para quem gosta tem carnaval o mês inteiro, agora são as prévias, depois vem o carnaval mesmo, que se estende por muitos dias, onde moro parece mais um retiro é um condomínio fechado não permitindo a entrada de qualquer manifestação carnavalesca.
Quando não viajo fico bem, lendo e assistindo filmes que para mim é o que mais gosto.
Paz!
Não fique triste!
Procure o conforto que o
céu dá a todos aqueles que se
conformam e aceitam as dores
com resignação.
Se aquela criatura que você
ama acima de tudo, mais do que
a você mesma, foi ingrata com
você, não fique triste: Peça que
o pai a ajude e que ela se torne
cada vez mais feliz...
Entregue ao pai todo-compreensivo
aqueles a quem você ama,
e ame-os você também.

Minutos de sabedoria
C. Torres Pastorino

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Sombrinha


Primeiro pecado que eu me lembro foi o da cobiça, eu tinha cinco a seis anos na ocasião, perto de nós morava em uma confortável casa uma senhora com seus dois filhos, um casal.
A minha mãe a conheceu e se tornaram amigas, a tarde depois do almoço ela pedia a minha mãe para eu brincar com sua filha, éramos da mesma idade, como a casa era muito grande tinha um quarto só com os brinquedos, tinha bonecas de todos os tipos e outros brinquedos também.
Eram desquitados, o pai um fazendeiro rico, vinha sempre visitá-los e os enchia de presentes principalmente a menina, eu quase não tinha brinquedos, me via no mundo encantado, mais daqueles brinquedos todos, me apaixonei por uma minúscula sombrinha tecida de fios de lã colorida, cada parte da sombrinha tinha uma cor, predominando o azul e o cabinho torto como se fosse a miniatura de uma sombrinha de praia.
Eu dava todas as dicas, que achava a sombrinha linda, não a tirava de perto de mim, talvez seja um fascínio que os meninos sentem por uma bola, eu senti por aquela sombrinha, por mais que eu achasse bonita ela não dizia nada, ela fazia não entender, e eu pensava, ela tinha tantos brinquedos, custava me dar aquela sombrinha, e eu sentia vergonha de pedir, uma tarde ela me deixou bricando sozinha e foi não me lembro fazer o quê, sei que coloquei a sombrinha em minhas mãos, olhei com tanto amor aquele objeto desejado, e tive um impulso, fiz uma bolinha bem pequena dela, machuquei toda e joguei bem longe, a noite tive tantos pesadelos, acordava suada no meio da noite, dormia e tornava a sonhar com coisas horríveis, tive uma noite pertubada por um pecado de querer ter alguma coisa que pertencia a outrem.
Ela nunca sentiu falta da sombrinha, mais serviu de lição para mim, nunca mais desejar o que não me pertence, por mais insignificante que seja, valeu a lição da sombrinha, pior, não esqueci nunca, quando chega o carnaval para avivar a minha memória as lojas são decoradas com pequenas sombrinhas que são o símbolo do frevo, eu as acho linda, igualzinha a sombrinha dos meus pesadelos, sendo que era uma pequena miniatura, sinto vontade de comprá-la mais a lembrança de outros tempos não deixa, seria o meu inconsciente me culpando, sei lá, quem entende os porões da nossa mente.
Não sei explicar essa fixação por sombrinha, nunca dancei frevo, sou do tempo dos românticos e trágicos boleros.
Tenho uma neta se formando em psicologia, se ela chegar a ler, vai dar muitas gargalhadas, de uma vó tão boba, comparando aos dias atuais.
Que todos tenham um ano novo repleto de muita paz e sem sombrinhas...