
O nosso carro na época era um Maverick, o orgulho do meu marido, estávamos regressando só com as três meninas, os filhos homens ficaram em Brasília nos seus empregos, a outra filha tinha casado e residia em Recife.
Preparamos o carro, as nossas malas seguiram junto a mudança, levávamos somente o necessário nas bagagens de mãos. A mala do carro eu enchi de plantas, eu adoro plantas, e não iria deixar minhas avencas, minha “Avenca Chorona” e demais plantinhas, forrei a mala do carro com jornais e em cada lugar que parava eu pedia ao meu marido para abrir a mala para molhar as mesmas para que pudessem aguentar a viagem.
Não vou contar a viagem toda, só as coisas mais marcantes, como a visita a Cordisburgo a terra de Guimarães Rosa e seu museu, a gruta de Maquiné belíssima etc...
Quando chegamos a Feira de Santana para almoçarmos, nos indicaram um restaurante bastante recomendado por todos na cidade por sua excelente culinária, eu entrei logo junto a minha filha caçula, meu marido sempre mais vagaroso veio logo atrás com as outras filhas, não é que surgiu um briga na rua, e o dono do restaurante revolveu fechar a porta do estabelecimento deixando meu marido e filhas lá fora, fiquei no maior desespero sem poder sair e saber como estava as coisas lá fora! Meu marido ao seu lado ficou muito nervoso para poder entrar e saber como estávamos! Logo chegou a policia e acabou a confusão!
Outro episodio foi quando perto de João Monlevade quase ocorreu um acidente, meu marido tinha cegueira noturna, por isto só viajávamos de dia, por estar muito frio a estrada estava com um pouco de neblina e escureceu cedo, o acostamento da rodovia estava em obras, tinha mais ou menos uns dois metros de profundidade, quando foi ultrapassado por um veiculo na faixa contraria com os faróis acesso meu marido ficou sem enxergar e caiu com duas rodas no meio fio em obras, olha o susto!
Foi necessário que os trabalhadores viessem em nosso socorro, felizmente ninguém se machucou, mas ele para continuar a viagem em segurança ficou colado nas lanternas traseiras de um caminhão que serviu de guia o tempo todo, o pior era que o motorista corria tanto e o medo aumentava junto.
Ao chegar na entrada da cidade o caminhoneiro parou e meu marido aproveitou para falar com ele que disse que corria por medo de sermos assaltantes.
Ao chegarmos a pousada eu não quis nem jantar, tomei um banho e cai na cama, quando minha família chegou do jantar eu já estava sonhando.
No outro dia pela manha quando estávamos para pegar a BR, outra duvida cruel! Para qual lado se chega ao Recife?! Eu insistia em um sentido, meu marido e filhas para o outro, começou a teima! Então propus o seguinte, seguir o meu palpite e na primeira placa indicativa voltaríamos se fosse o caso. Graças a Deus eu estava certa!
Depois desse trecho as cidades ficaram mais próximas, sem perigo de anoitecer na BR.Ao chegarmos ao Recife estávamos em pleno carnaval e por pura coincidência estava tocando no radio do carro o frevo “Voltei Recife”.Cheguei tão cansada, quase morta, viajar de automóvel nunca mais! Só se for uma viagem bem curta, minhas filhas adoraram a viagem e tiveram assunto para muito tempo.
Paz Celina




