
Tem coisas que acontecem na vida da gente, se vivermos cem anos não esqueceremos....
No inicio do meu casamento, quando estávamos viajando de volta de Santa Maria (RS), para Natal (RN), aconteceu um caso que hoje acho engraçado, mas na época!
Foi assim, eu sempre fui muito reservada em questões financeiras com o meu marido, para explicar melhor eu não sabia nem quando e quanto ele recebia o seu salário. Deixava tudo ao seu cargo, ele não reclamava nada, e muito menos eu.
A viagem antigamente era feita por navio, em Porto Alegre embarcamos com destino a Natal, ao chegar a bordo meu marido me chama e diz que quer me dizer algo, fiquei assustada, e ainda acrescentou que não sabia como dizer, estava envergonhado, neste momento pensei tudo de ruim, ate que eu insisti, pois além de assustada estava ficando com raiva pelo suspense.
Foi então que ele me contou que não tinha recebido a ajuda de custo que todos os “transferidos” recebem, antes não era como hoje tudo informatizado, a promessa era de que quando chegássemos a Recife a sede da Região tudo seria normalizado.
Viajamos sem dinheiro!
A minhas filhas eram bem pequenas, a menor alternava a mamada ao peito com leite.
Justamente ao chegarmos ao Rio de Janeiro tinha acabado a ultima lata de leite. Ai eu perguntei a ele e agora?! Meu marido ficou apavorado, fez cada proposta estapafúrdia para resolver a situação que só vendo!
Foi quando lembrei a minha correntinha de ouro, muito bonita toda trabalhada, ele ficou sem graça e prometeu que assim que pudesse compraria outra.
No momento o que me interessava era comprar o leite das crianças, antes que começassem a chorar.
Assim aconteceu, ele tomou café da manha cedo e partiu, prometendo voltar antes do meio dia.
Neste interim quando o bebê acordasse eu a colocava no peito ela adormecia e eu ia para meu posto no convés ver a hora que ele retornasse a bordo, ai começou minha angustia... Deu meio dia e ele nada! Começaram há passar as horas... neste momento a menina não se satisfazia mais com o pouco leite que eu conseguia ter, abriu a boca e começou a chorar, gritar!
Até hoje quando fico nervosa me ataca logo uma dor de barriga, nem ao banheiro podia ir. Os outros passageiros perguntavam por que ela estava chorando tanto, eu respondia que ela estava com cólicas.
Eu estava ficando desesperada, pois já tinha passado e muito do meio dia. Pensava que ele tinha sido atropelado ou morrido, ou estava internado em algum hospital... A angustia me invadia a alma, hoje eu não tenho palavras para descreve-la, quando fico aflita eu não sei chorar, sinto queimar por dentro e com uma espécie de vácuo no estômago.
Quando eu não aguentava mais, eis que o avisto, um misto de raiva e de alivio tomou conta de mim!
Ele comprou leite o suficiente até o termino da viagem e contou o que aconteceu, ele se perdeu!
De jeito nenhum acertava o cais, nervoso que estava, tropeçou em uma ambulante derrubando as coisas que ela estava vendendo, a mesma “rogou pragas” que até antes de sua morte ele lembrava das mesmas.
Imaginei a cena ele nervoso a apanhar as coisas espalhadas ao chão e a mulher gritando e praguejando! Começamos a sorrir.
Graças a Deus o resto da viagem foi ótima!
Paz Celina