sábado, 16 de julho de 2011

A primogênita

Imagem do Google
Hoje vou falar da minha primeira filha, ela foi a companhia dada por Deus para as minhas noites de solidão e medo. Solidão pois meu marido sendo militar tinha que tirar serviço e as vezes até de prontidão ele ficava.


Eu tinha medo dos temporais que enfrentávamos juntas, onde o ruído dos trovões a assustava. Durante a tormenta eu a colocava na cama comigo e me abraçava a ela, protegendo-a e a mim também.


Na minha ignorância com referência a crianças o meu marido comprou um livro para aprendermos o que fazer. O livro era completo, ensinava desde a alimentação, os primeiros cuidados, os sintomas de certas doenças. O nome do livro era "O conselheiro médico do lar".


Eu trabalhava muito, mas tinha tempo para brincar com ela, pois quando ela me avistava, começava a sorrir e balançar as perninhas, eu a pegava no colo e ficava brincando com ela, quando a colocava no berço de volta ela ensaiava um choro, mas depois alguma coisa chamava sua atenção e continuava a brincar.


Havia laços fortes muito fortes nos unindo, era um amor tão grande que cheguei a pensar que não amaria a ninguém mais daquele jeito, pensei que aquele amor fosse único.


Depois chegaram os outros filhos e eu vi que uma mãe pode amar igualmente os seus filhos, mas existe algo além do amor que é a afinidade, isto nós temos e de maneira mútua, pois ela me demonstra todos os dias.


Em janeiro deste ano ela realizou um dos seus maiores sonhos, conhecer a terra em que nasceu. Viajou com os filhos para Santa Maria no Rio Grande do Sul. Chorou de emoção ao ver a terra tão comentada por mim e o pai, passou o dia 25 de janeiro (dia do seu aniversário) na cidade, com direito a bolo e velinhas, me trouxe fotografias e um CD cujo título era "Coração do Rio Grande do Sul".


Estava tudo lá, as praças o hospital universitário onde nasceu. mas estava tudo modificado, afinal já se passaram tantos anos. Ela me convidou para acompanha-la mas eu preferi ver o filme que esta na minha mente. Um lugar simples mas poético, com os pés de cinamomos, onde eu me sentava a sua sombra com ela no colo. A praça mais bonita na época era a de Dr Bozano. Eu via brotar na primavera os pés de ervilhas plantados aos pés da cerca e no pomar as macieiras e os pessegueiros repletos de flores e perfumes, junto ao tanque onde lavava nossas roupas haviam muitas outras flores "Copos de leite" que tornavam a minha tarefa leve, diante tanta beleza.


Eu tenho inteirinho este filme na cabeça e me pergunto "Será que fui eu?". Que passei por dias tão lindos que não voltam mais, retalhos de uma vida vivida com sacrifício e muito amor. Chego a me perguntar se tudo não foi um sonho bom, cheio de belas recordações e lindos cenários, cercados de belos coadjuvantes, pessoas boas com as quais aprendi muito.


Se tivesse o dom de pintar, reproduziria em diversos quadros o que foram esses quase quatro anos passados no sul do país, com certeza seriam belíssimos, da maneira como continuarei guardando na mente e no coração.

Paz para todos, Celina. 

*Postagem publicada em  em 15 de Abril de 2010

5 comentários:

Anne Lieri disse...

Celina,que maravilhosa história de vida!Como é bom recordar quando os filhos são pequenos!Amei te visitar,tb estava com saudade!Vou postar umas fotos da Fadinha pra vc ver como ela está gordinha depois que foi castrada!....rss...bjs,

Graça Pereira disse...

Para já acho interessante e curioso o título do teu blog( agora sei porquê...) Minha Querida, como eu te compreendo...Tenho saudades da minha terra (nasci em Moçambique) mas não vou lá, tal como tu, prefiro ver"o filme" guardado nas minhas memórias e coração e nos milhares de fotos que trouxe, onde está ainda tudo direitinho... Dizem, que nunca devemos voltar ao sítio aonde fomos muito felizes e eu...concordo!
Mil beijos
Graça

Sonica disse...

Lindo, Celina! Quando escrevemos com o coração, a alma salta aos olhos!
Bjs,

Toninhobira disse...

Um emocionante relato Celina para reacender as chamas das lembranças e fazer uma viagem no tempo.Lindo este recordar, este sonhar e preservar este sonho sob sete chaves no coração.Claro que foi voce, porque soube fazer de cada instante, uma eternidade e hoje tem estas belas lembranças vivas,para nos brindar em seus escritos. E o livro ainda guarda consigo?
Que voce sempre possa ter este carinho dos filhos e que eles possam espelhar nesta bela mãe.
Um abração carinhoso Celina.
Um bom domingo a voces.
Bju de luz no seu coração.

Antônio Lídio Gomes disse...

Celina, realmente é emocionante e também tenho essa sensação descrita por ti.
Nasci em uma cidade cujo ritmo de vida é totalmente o oposto de onde vivo.
Estive numa cidade ao sul do Ceará em 2001, e foi como se entrasse numa outra dimensão.
Gostaria de nunca poder ter saído de lá.
Mas sabemos que na vida nem tudo ocorre como queremos.
Teu testemunho é lindo e faz-me recordar.
Um fraterno abraço, um bom domingo, muita paz, bjs.