sábado, 5 de maio de 2012

É muito difícil falar dela, a minha mãe!


Imagem do Google
É muito difícil falar dela, a minha mãe. Eu a amava quando ela estava alegre, ela tinha muito senso de humor que me fazia sorrir, quando estava de mau humor saísse de perto, sua maior qualidade era o amor ao trabalho, o que nós não gostávamos era o ciúme possessivo que passou das filhas às netas.

Veio de uma família humilde, lutara com muita dificuldade para sobreviver em uma família composta por doze filhos, cedo arrumou os seus poucos pertences e veio para a capital tentar um emprego. Não adiantou a chantagem dos irmãos, primeiro com a mãe viúva e depois o que a família e os vizinhos iriam dizer; veio assim mesmo, chegando à cidade para sossego da família hospedou-se na casa de uma tia.
Tinha contra ela a idade, era menor de idade e pouca instrução, a idade até que não atrapalhou, era alta e bem proporcionada, e foi à luta!

Depois de muito procurar, encontrou uma vaga no manicômio da cidade, a diretora a recebeu bem, perguntou se ela aceitava o trabalho que era muito, e as condições do hospital eram horríveis “Se hoje ainda é assim, imagine muitos anos atrás." Minha mãe o comparava a um inferno, onde tinha os gritos e os ranger de dentes.

Assim mesmo depois das instruções da diretora que simpatizou com ela, aprendeu tudo rápido o que deveria ser feito, cuidar das pacientes: Desde o banho quente que fazia parte do tratamento, injeção, curativos, banho de sol com os que estavam melhores.

Para compensar de certa forma o sofrimento que ela assistia no dia-a-dia, amava as coisas que a vida podia oferecer.

Uma de suas irmãs mais velhas tinha feito um bom casamento, com o dono da padaria local, ele músico, organizou a banda da cidade. Sempre aos sábados havia um baile, ela aproveitava a sua folga e voltava à cidadezinha e dançava até a madrugada,além disso, tomava vinho, cantava e fumava em público; escandalizando a pequena cidade “Era uma mulher à frente do seu tempo".

Os irmãos não falavam com ela, só a mãe e as irmãs. Elas muito católicas continuavam a orar por ela. A mãe só sossegou quando um dos filhos veio à capital e conseguiu alugar uma casa, para ela ficar perto da filha.

Aconteceu um caso bizarro, correu um boato que chegou ao conhecimento da minha avó, que a minha mãe tinha enlouquecido, antigamente dizia-se que quem trabalhava com doido adoecia também. A minha avó mandou o irmão mais novo averiguar, chegando ao asilo ele avistou a minha mãe, ela estava despenteada devido à forte ventania, ela surpresa com a visita aquelas horas, correu ao encontro dele, ele saiu correndo, quanto mais ela corria, ele corria mais, chegando em casa disse é verdade mãe ela quase me pegou. Precisou a minha mãe ir lá mostrar ao pessoal que ela estava bem, assim mesmo todos desconfiados, sem querer acreditar.
O meu pai entra em cena quando foi fazer uma pequena reforma e a pintura do prédio, dando um aspecto melhor a aquela casa de tanto sofrimento.

Casou-se com meu pai, como manda o figurino de véu e Capela, ela continuou trabalhando em casa, para sossego da minha avó e da família. Tiveram quatro filhos, dois casais, ela tinha preferência pelos filhos homens, ela afirmava claramente a preferência. Eu e minha mãe não tínhamos muita afinidade, vivíamos ás turras, eu não era de brigar e ficava calada, talvez com medo da agressão, mais dentro de mim, tinham pensamentos horríveis em relação a ela, preferindo mais o meu pai, vivíamos guerreando, eu calada e ela esbravejando para ver a minha reação. Após muitos anos,quando meu pai faleceu, ela passou a conviver com as duas filhas!Um tempo morando com a minha irmã e comigo, sendo que na nossa casa ela ficava mais tempo, devido aos netos que ela adorava a companhia deles. Precisava minha irmã vir buscá-la, às vezes inventava que estava doente e que precisava ir ao médico retardando assim a sua volta.

Quando eu vi meus filhos a amarem tanto, um sentimento de culpa batia, achando que se eu tivesse aceitado como ela era, teria sido melhor a convivência, mais tarde no início da doença a minha irmã atendendo aos seus pedidos veio deixá-la, ela queria está comigo e com seus netos, ainda viveu alguns anos, foi à oportunidade que me foi dada, para resgatar um pouco dos meus débitos para com ela.

Ela me amou ao seu modo!Se nunca me disse ou me beijou foi por vergonha!A educação que recebeu foi muito rígida, mas guardava as coisas bonitas e boas sempre para mim, e "ninguém mexia que não era doido!"

É preciso muita paciência e muito amor para cuidar de uma pessoa com o mal de Alzheimer, só quem cuida é que sabe como é!
Perdoa-me mãe, por não aceitá-la como a senhora era e sim como eu gostaria que a senhora fosse! Fique em paz!

 *No 2° domingo de maio é comemorado o dia das Mães. Com esta postagem quero homenagear a minha mãe e todas as mães deste mundo!Desejo paz, e que Deus continue a iluminar nesta doce e difícil tarefa de ser mãe.
Paz Celina**Publicado em 04/09/09 com o titulo de ‘Raízes II’

23 comentários:

✿ chica disse...

Linda, tocante e emocionante postagem dedicada à tua mãe!

Quanta histórias a vida escreve,não? beijos,tudo de bom,chica

Sonica disse...

Cheguei às lágrimas, amiga! Que post lindo, e obrigada pelo seu carinho no meu post; aos poucos vamos nos conhecendo cada dia mais.
Bjs,

Toninhobira disse...

Numa mistura de risos e angustia adorei seu texto homenagem,que mais é uma declaração de amor,que fora sufocado,mas sempre existiu.O trecho da suspeita de loucura da mãe é muito engraçado lendo hoje.Sim Celina a gente pode fazer um video tape da vida daquele tempo e perceber que a mãe fora uma mulher de fibra.Parabens a ela por ter superado na vida todas as discriminações e intolerancias e ter passado a voces a força do querer.Hoje os frutos valem todos os esforços e privações.
Um belo domingo a voce e familia.
Que a paz e saude sejam companheiras.
Carinhoso abraço.

Amapola disse...

Boa tarde, querida amiga Celina.

Menina, que história!!
Emocionante demais...

(Ri muito, quando o seu irmão a encontra com os cabelos despenteados pelo vento...)
As pessoas costumavam dizer mesmo, que quem trabalhava com doido, doido ficava.
(Quem fala demais, sempre dá o seu veredito).

Amiga, a minha mãe também só gostava da filha mais velha e nunca escondeu isso. À mim, ela perseguia, e me tocava de casa.
Eu ficava calada, e ela enfurecia ainda mais!

São coisas da vida, que acabam por somar sentimentos bons em nós, porque a injustiça é tanta, que na procura de uma razão, enxergamos que basta o amor que habita no nosso próprio coração.

Ironias da vida: Depois que a minha mãe se foi, eu perdi a vontade de viver, e a minha saúde não é a mesma.

A sua homenagem é lindíssima!!

AS DATAS COMEMORATIVAS POTENCIALIZAM TANTOS SENTIMENTOS PROFUNDOS...

Desejo-lhe muita saúde, paz, e alegria!
Você é muito especial!!

Felicidades.

Beijos.

ONG ALERTA disse...

A difícil tarefa de ser mãe...ser mãe éa prender que a única coisa que se tem nesta vida é o amor incondicional por um filho!!!
Beijo para todas as verdadeiras mães...Lisette.

jose claudio disse...

Oi, Celina! Que emoção, viu? Eu dei umas risadas primeiramente no episódio da suspeita de loucura dela, mas depois eu me emocionei com o seu resgate e a sua clareza quanto ao passado , e seus desdobramentos em seu caráter e personalidade, desaguando num amor fraterno. Parabéns e um abraço grande. paz e bem.

Valéria disse...

Oi Celina!
Vi seu comentário lá no Cacá dizendo que mora em Natal e vim te visitar. Também moro aqui.
Por coincidência hoje preparei e programei minha postagem para o dia das mães e venho aqui e me deparo com este lindo depoimento em forma de homenagem.
Beijinhos!

Graça Pereira disse...

Esta postagem é ainda amor por aquela que te deu o ser.
Um história de vida verdadeira onde, nenhum de nós é perfeito. Mas o amor , esse sim, fica guardado para sempre no nosso peito.
O nosso dia da Mãe, aqui em Portugal, foi comemorado ontem.
Mil beijos para ti e uma boa semana.
Graça

Anne Lieri disse...

Celina,que história que emociona,amiga!Meu pai tb tem alzheimer e sei como deve ter sofrido!Uma bela homenagem a sua mãe!bjs e meu carinho!

Toninhobira disse...

Celina minha amgiga estou deveras envergonhado por não saber da data do seu aniversario.Mil perdões e que Deus lhe abençoe sempre por todo carinho e atenção.Mas sou muitom fraco para datas.Meus parabens e agora vou colocar meus alarmes.
Um beijo no seu coração com todo meu respeito e carinho.Perdoa.

Maria Alice Cerqueira disse...

Querida amiga
meu Abraço de Paz e bem!
Linda e profunda historia, que tocou profundamente meu coração!

Mãe do céu da terra e do mar
Por favor,
Ensina-nos o teu segredo
Do Teu Amor
Para que não tenhamos medo
De apreender Amar!
Meu abraço carinhoso para você!

Feliz dia das Mães!

Maria Alice

Sonhadora disse...

Minha querida

Uma história de vida sofrida como era antigamente...fiquei emocionada, eu também já perdi a minha que também teve uma vida muito difícil e sei que me amava, mas não sabia como dizer.

Deixo um beijinho com carinho
Sonhadora

BlueShell disse...

fiquei muito sensibilizada...
Uma lágrima quis romper...

Um beijo em azul
BShell

Thiago Gregório disse...

Vó, muito bom o texto.

Demonstra um lado que eu não conhecia da minha bisavó. Emocionante o texto.

Em tempo, um feliz aniversário para a senhora. Muita saúde, felicidades e paz para você e toda nossa família.

Abraços,
Thiago.

Anne Lieri disse...

Celina,passando para reler sua comovente história e desejar um feliz dia das mães!Bjs,

Luma Rosa disse...

As mães sempre dizem que iremos entendê-las quando tivermos nossos próprios filhos e mães sempre falam mais e mais alto que os pais. Quantas vezes temos que dizer não pelo próprio bem? Sua mãe nunca lhe disse "Eu te amo"? Mas ela lhe disse muitos "nãos". Educar não é fácil e muitas vezes um "não" quer dizer: "Eu te amo". Feliz dia das mães!!

✿ chica disse...

Celina!!perdi teu niver dia 8.Só agora ,lá no Toninho, fiquei sabendo!!Parabéns e felicidades, mesmo atrasadinha! Gosto muito de ti! beijos,chica e Neno

Amapola disse...

Boa noite, querida amiga Celina.

FELIZ DIA DAS MÃES PRA VOCÊ TAMBÉM.

MUITO OBRIGADA.

Beijos.

Toninhobira disse...

Minha doce amiga de minha terna admiração,quero que sinta o meu abraço em cada abraço recebido e que o dia seja pleno de paz,alegria e luz.
Beijo no sue coração,feliz dia das mães.

jose claudio disse...

Celina, minha querida. Receba meu duplo abraço hoje. Primeiro pelo seu aniversário que só agora soube, lendo o comentário da Chica. Desculpe-me o lapso.
Muitas alegrias, saúde plena e muito amor em sua vida.

E parabéns pelo dia de hoje pela mãe maravilhosa que sei bem que és. Paz e bem.

Maria Rodrigues disse...

Minha amiga uma história de vida que toca o nosso coração. Nem sempre a convivência é fácil, mas o importante é superar as divergências.
Minha amiga um Feliz Dia da Mãe.
“Deus não pode estar em todos os lugares e por isso fez as mães.” (Ditado judaico)
Beijinhos
Maria

Amapola disse...

Boa noite, querida amiga Celina.

Seu aniversário foi no dia 08 e eu não sabia.
Parabéns, mesmo atrasada.
Que Deus viabilize tudo que a faça feliz!
Muitos anos de vida cheios de saúde, paz, e muita alegria de viver.

Beijos no coração.

(FIQUEI SABENDO A DATA, ATRAVÉS DO BLOG DO AMIGO TONINHOBIRA).

AvoGI disse...

bonitas palavras para a mãe.
kis :=)