sábado, 14 de abril de 2012

Uma grande Mulher!

Imagem do Google

Quero neste dia, dedicá-lo a senhora que foi tudo aquilo que é preciso para ser uma grande mulher!
 
Dedicou sua vida a servir, foi enfermeira sem nunca ter feito um curso, foi mãe sem nunca ter tido filhos biológicos!

Ficou solteira por opção, teve dois pretendentes: um primo (na época era comum casamento entre primos) o rejeitou, ele casou-se com uma das suas irmãs. O outro, um comerciante, ela achou que seu sapato fazia muito barulho, “rangia muito”, e tinha o habito de viver “limpando a garganta emitindo sons”, o que ela achava muito esquisito, ela o rejeitou também para desgosto da família, pois era um ótimo partido!


Dedicou o seu tempo aos trabalhos manuais, bordava muito bem enquanto minha Vó fazia crochê. Com a ajuda dos irmãos casados dava muito bem para o sustento de ambas, e ainda ajudar aqueles amigos mais necessitados, como a professora amiga que ensinou a maioria dos irmãos sem cobrar.


O lazer era: sendo muito católica, ir à igreja (que frequentava todos os dias, pois pertencia a irmandade das “Filhas de Maria”), cuidar das suas roseiras, que por sinal eram lindas e de seu pé de uva, que na safra até ajudava na manutenção da casa, e de suas plantas medicinais.
Era extremamente asseada! Hoje em dia dizia-se que tinha “toc” tal era sua exigência com a limpeza.


Um dos seus maiores feitos entre outros, foi quando surgiu um surto de Varíola na cidade, que dizimou quase toda a população. Quem primeiro contraiu a doença em casa foi minha vó, depois foram caindo os outros, onze irmãos ao todo! Sozinha cuidou de todos!


Na época era bem jovem, era a terceira dos doze irmãos, quando a casa foi marcada com uma “cruz” avisava que ali tinha casos de varíola ,enfrentou sozinha dois guardas que queriam levar para o isolamento todos que estivessem contaminados, o seu argumento foi o seguinte “que eles levassem primeiro os ricos e usineiros da cidade”.


O hospital, ou melhor, o isolamento foi construído as pressas, dentro do mato, bem longe da cidade, sem a mínima condição de higiene, eram muitos doentes para poucos cuidarem, era uma viagem sem volta! Ela cuidou de todos da família em casa.


Entre os doentes a minha avó foi a que apresentou um quadro mais grave, ficou sem roupa na folha da bananeira, seus cabelos caíram e sua pele escureceu, só após longo tempo foi voltado ao normal.


Os cuidados feitos por ela além de furar as “pústulas” era banhar todos varias vezes ao dia, tentar alimentá-los, limpar a casa, queimar alfazema para diminuir o odor da doença! À medida que os irmãos melhoravam a ajudavam nas tarefas.


Na convalescência aumentou o trabalho, pois para dar vencimento à quantidade de comida exigida pelos doentes, minha vó chegava a chorar de fome sem paciência de esperar que o alimento ficasse pronto, e era alimentada diversas vezes ao dia! Parecia uma “fome braba”, era o organismo reclamando do longo jejum!


Todos que ela cuidou escaparam da terrível doença, com poucas cicatrizes!


Mais tarde já adulta cuidou de muitos sobrinhos, e eu estava entre eles! Cuidou de minhas feridas do corpo e da alma, foi em seus braços que eu encontrei abrigo na adolescência para me curar de uma fraqueza extrema!


Ainda guardo seu cheiro bom de jasmim!


Amparou pessoas que viam do interior, na cidade a época só tinha um farmacêutico e ela para cuidar de todos aqueles que a buscavam. 

Tuberculoso ela tratou de muitos! A família do doente tinha medo do contágio e a chamava para cuidar, até canjas gostosas ela fazia para ver se conseguia que os doentes se alimentassem! Sempre que eu voltava nas férias ela estava cuidando de alguém, só não consentia que eu fosse junto! 

Ela nunca se contaminou e nunca aceitou pagamento pelo que fazia, a única doença que se queixava era uma tontura, talvez uma labirintite, mas ela já estava bem idosa nesta época!


Vou contar um caso jocoso que aconteceu. Ela estava na janela observando um pobre homem sentado na calçada com uma “corda de caranguejo” que ele tinha ganhado na feira.

 Ela perguntou ao homem se ele estava com fome, ele respondeu que sim, dizendo “se tivesse alguém que cozinhasse esses caranguejos pra mim”, o qual minha tia respondeu “Que não seja por isso!”. Pegou os bichos cheios de lama, raspou suas patas, limpando bem (sua mania de limpeza), os colocou para cozinhar, indo a sua horta pegar coentro fresquinhos e outro temperos, dali a pouco o cheiro invadiu a casa! Ela ainda perguntou se ele gostaria que ela fizesse um “pirão”, o mesmo disse que sim.


Ela forrou uma mesinha na sala e o convidou para entrar, e toda orgulhosa foi buscar os dois pratos, um com os caranguejos e outro com o bendito pirão, ela só não contava com a reação do homem que soltou um “palavrão” dizendo que os caranguejos estavam mal cozidos ,o meu anjo também ficava braba! Disse “Sujeito mal agradecido leve seus caranguejos embora, você nunca teve fome!”.


A nossa reação foi sorrir vendo o seu desapontamento, que terminou rindo também!


A vida nos separou, casei, viajei, morei em outras cidades, mas quando voltava era em seus braços que me sentia criança outra vez!


Ela foi tudo para mim! A criatura mais perfeita que Deus colocou em meu caminho! Foi mãe, amiga, conselheira e enfermeira! O seu exemplo de vida eu procuro segui-los passando a minha família.


Ensinou-me a rezar a oração do Santo Anjo do Senhor, e eu pensava “pra que se eu já tenho meu Anjo!”


Onde estiver beijo as tuas mãos que só ajudaram fazendo o bem! Neste dia és a mulher escolhida por mim para homenagear!


Deus te abençoe! Celina

 “In memoriam" de Sebastiana Alves Freire"

*Postagem publicada em 04 de março de 2010 em homenagem ao dia internacional das mulheres.

20 comentários:

SHEYLA - DMULHERES disse...

Cleina, que bela homenagem!
Ficou super emocionada.

Um beijão e bom final de semana,
Sheyla.

✿ chica disse...

Emocionante, vinda do coração essa homenagem,Celina!!Fica bem, beijos, tudo de bom,chica

Maria disse...

Minha amiga simplesmente maravilhoso.
Um domingo pleno de paz e harmonia.
Beijinhos
Maria

Amapola disse...

Deus a abençoe mesmo!!

Querida amiga Celina, que avó maravilhosa... Anjo de verdade!
Uma pessoa assim jamais poderá ser esquecida porque é um grande exemplo à ser seguido.

Merece todas as homenagens!

Tenha um lindo fim de semana de paz e saúde.

Beijos.

Misturação - Ana Karla disse...

Realmente Celina, que mulher.
Tia/mãe.
A homenagem é linda e merece todo foco.
Bom domingo
Xeros

Toninhobira disse...

Uma salva de palmas para a Sebastiana com este exemplo de vida,esta dedicação a servir e fazer o bem indistintamente.Hoje o mundo carece de pessoas assim, que façam a diferença.Sua homenagem ficou linda Celina e mostra a beleza de seu coração.Que Deus possa sempre lhe iluminar em sua humildade e bondade.
Um lindo domingo pra voce e familia.
Meu carinhoso abraço e admiração.

ONG ALERTA disse...

Encantou com suas palavras esta linda homenagem, grande beijo Lisette.

Anne Lieri disse...

Celina,que grande história de vida da sua tia!De fato, uma mulher especial e ficou linda e divertida a homenagem!bjs e boa semana!

elvira carvalho disse...

Que homenagem maravilhosa. Eu me emocionei e me vieram as lágrimas aos olhos.
Um abraço e tudo de bom para si.

Amapola disse...

Boa noite, querida amiga Celina.

Ah... Ela é sua tia, que não quis se casar.
Menina, é difícil aguentar alguém limpando a garganta o tempo todo.
Ela fez bem.

No comentário anterior eu disse que ela era a sua avó. É que enquanto a sua avó fazia crochê, ela bordava.
Foi nesse trecho que eu me confundi.

Aproveito para desejar-lhe uma linda semana abençoada.

Muita saúde, alegrias e paz!

Beijos.

Mery disse...

Celina, me emocionei ao ler teu relato "Uma grande Mulher!"
Quanta dedicação!
"dedicou sua vida a servir*...
Sozinha*
Cuidou de ti e ainda guardas seu cheiro de jasmim, que lindo!
Obrigada por partilhares, foi uma grande lição...que hoje me fez bem.
Beijinhos.

Antônio Lídio Gomes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Antônio Lídio Gomes disse...

Minha querida, sua tia era uma mulher de fibra e não se encantava por qualquer um!
Estava certo ela. Imagina casar com um homem que feito um trombone fica emitindo barulhos a todo instante, rsrsr. Nem o Luciano Pavarotti era assim!
O "Zé do Carangueijo", um baita mal agradecido! Acertou de novo em dar umas broncas no dito cujo!
Adorei esta história.
Por ora deixo um fraterno abraço e um beijo grande.

Antônio Lídio Gomes disse...

Minha querida, sua tia era uma mulher de fibra e não se encantava por qualquer um!
Estava certo ela. Imagina casar com um homem que feito um trombone fica emitindo barulhos a todo instante, rsrsr. Nem o Luciano Pavarotti era assim!
O "Zé do Carangueijo", um baita mal agradecido! Acertou de novo em dar umas broncas no dito cujo!
Adorei esta história.
Por ora deixo um fraterno abraço e um beijo grande.

Sonhadora disse...

Minha querida

Uma homenagem muito emocionante, que me deixou sem palavras.

Deixo o meu beijinho com carinho
Sonhadora

Toninhobira disse...

Oi Celina venho lhe agradecer pelas belas palavras e pela visita ao blog(da Sueli) onde participo com exercicios dirigidos.
Suas palavras são incentivos para prosseguir neste lindo caminho da poesia.
Fiquei feliz.
Grato amiga e minha terna admiração.
Beijo no seu coração.

Anne Lieri disse...

Celina,hoje passei para reler essa bela homenagem e deixar o meu carinho!bjs,

Maria Alice Cerqueira disse...

Boa Tarde Amiga!
Hoje em especial
Parei um pouquinho
Para trazer o meu carinho.
E apenas lhe dizer muito simplistamente,
Muito Obrigado!
Obrigado por tudo, que Deus esteja sempre com você hoje e sempre e sempre...
Com todo o meu carinho o meu grande Abraço.
Maria Alice

Amapola disse...

Passei para lhe dar um abraço.

AFRICA EM POESIA disse...

vim aqui por acaso.
mas...não há acasos.
obrigada pelo post. um beijo e atrevo-me a deixar...poesia

PIANO

Tocando ao piano em parceria
Sinto o piano, cansado da vida
Piano velho, num canto da sala
Piano que chora, quando lhe tocamos...

Porque o som das suas teclas
Brancas e pretas bem definidas
Sentem os anos e sentem a dor
Quando tocamos e nos delíciamos...

E este piano que pode ser
Piano de cauda ou piano vertical
E mesmo cansado nos deixa tocar
E deixa fechar os olhos e escutar...

E com muito carinho afagamos
As suas oitenta e oito teclas
Teclas de dó, ré, mi, fá, sol, lá, si...
Teclas de uma vida, cheia de luz...

E os nossos dedos percorram as teclas
Brancas e pretas, pretas e brancas
E assim em parceria tocamos
E deixamos o nosso sonho voltar!...


LILI LARANJO