
Quando chegavam as festividades de fim de ano, minha tia vinha com uma tropa de mais ou menos trinta pessoas para assistirem à missa do galo. Eram vizinhas acompanhadas dos filhos, sobrinhos e os filhos de minha tia.
O lugarejo onde elas moravam ficava a cerca de uma légua da cidade, todos os anos era sempre assim, acompanhavam a minha tia até a casa da minha avó que ficava pertinho da igreja, as mais velhas ficavam para o café, enquanto os mais moços preferiam ficar passeando. O sino avisava com as suas badaladas, quando tocavam a ultima chamada, lá iam todos para a cerimônia
Quando terminava a missa começava o trabalho de contar todos logo ao sair, para não faltar ninguém. A minha tia ia pedir a bênção de sua mãe (minha avó) para só então começar a marcha da volta, por mais que insistissem para deixar o dia amanhecer, ela alegava que quando o sol saísse ela e as companheiras já estariam em casa.
Uma dessas vezes ao chegar em casa na contagem, faltava um dos pequenos, aí foram ver quem era, e justamente a filha de minha tia, com mais ou menos uns oito anos, e logo ela ficou muito nervosa, uns garantiam que ela havia ficado, outros juravam que tinham visto a mesma no meio do caminho perto das divisas.
Minha tia voltou e dois rapazes a acompanharam na viagem de volta, eles se muniram com uma lanterna e minha tia pegou logo um candeeiro grande, fizeram o mesmo trajeto passando pelo riacho e dentro de uma fazenda cheia de gado solto no pasto, já estavam na metade do caminho e nada da menina, logo ela começou a ficar ainda mais nervosa.
Quando de repente um dos rapazes viu algo estranho parecido com um bezerro deitado junto da vaca, como ainda estava escuro ele pediu a lanterna para clarear, ai a encontraram dormindo na barriga quentinha da vaca, a minha tia logo a acordou e a trouxe para casa.
Desde então redobraram os cuidados com as crianças menores e as mesmas passaram a ir na frente e ficar ainda mais perto dos adultos para não acontecer mais tamanho susto !
Paz, Celina!


